Alcest




Alcest, nome de uma personagem mitológica da Grécia, é a filha de de Pélias cuja mão em casamento é prometida para quem for de encontro a ela num carro puxado com leões e javalis, tarefa realizada por Adento que, logo após a tarefa, acaba adoecendo. Para salvá-lo, alguém precisa ser sacrificado em seu lugar, missão que Alceste se incubiu de fazer. Quando as forças de Adento foram se recuperando, as de Alceste diminuíam cada vez mais, até quase seu encontro fatal com a Morte que, no entanto, não veio a acontecer devidoà intervenção de Hércules. Assim, Alceste pode se recuperar junto de Adento e ambos viveram casados.

Historinha bonita, não? Pois este mesmo nome batiza uma das bandas (one-man band, na verdade) que talvez seja a mais influente e eclética dentro do universo do Black Metal no fim da década de 00's. Sua fundação data do ano de 1999, pelas mãos de Neige, que já foi (ou ainda é) integrante de bandas importantes do BM francês tais quais Peste Noire, Mortifera, Valfunde, Amesoeurs, além de nomes de outros países como Lantlôs e Forgotten Woods, na qual até 2002/2003 tinha a colaboração de Famine e Argoth, pessoas também importantes na tal cena.

Tendo lançado sua primeira demo ainda em 2001, chamada Tristesse Hivernale, apresentando ainda um Black Metal bastante cru, ríspido e gélido, bem ao estilo das outras bandas da região, o Alcest no entanto parece ter tomado outros caminhos desde então, começando a absorver influências sonoras diversas e incomuns ao gênero, a ponto de tornar sua música mais acessível sem no entanto perder a quintessência que marca a ferro e fogo a roupagem do Black Metal. Já desenvolvendo esta linha, saiu o EP Le Secret, em 2005, contendo duas músicas, sendo uma delas um poema musicado de Charles Baudelaire, chamado Elévation.

Desde esse EP, já pode-se perceber ecos do que o Alcest viria a lapidar num futuro próximo. Influências de Post-Rock e Shoegaze, antes totalmente dissociados do BM, ressoavam aqui e acolá durante o EP, trazendo um feeling com sabor nostálgico e docemente melancólico as músicas, abrandando um pouco a crueza comum do gênero mas, como disse, mantendo ainda todos os elementos dignos de fazer a felicidade de todo fã dele. Dois anos depois, veio ao mundo um álbum que, na minha opinião (e destaco isso em negrito, itálico e letras vermelhas, para que fique bem claro), mais revolucionou o universo BM nessa década que findou há pouco, o Souvenirs D'un Autre Monde. Nele, a fusão de Black Metal, Post-Rock e Shoegaze atinge sua evolução completa, tecendo um álbum recheado de melancolia nostálgica e árcade, que evoca uma espécie de sensação no ouvinte que o faz remeter a tempos distantes e remotos, onde as coisas pareciam mais fáceis e a vida mais agradável, crescendo assim uma tristeza serena e confortante em seu âmago.

Depois de ter se envolvido em toda a confusão da banda "prima" do Alcest, o Amesoeurs, que levou ao fim da mesma, desde 2009 o Neige começou a traçar o que viria a se tornar, hoje, o segundo full-length do Alcest, vindo sob o nome de Écailles De Lune (Escalas da Lua, em português). Fãs, admiradores e amantes do Souvenirs ficarão felizes com este trabalho, pois nele se faz presente todos os elementos que marcaram e tornaram-lhe um dos álbuns mais geniais dos últimos anos. Talvez a maior diferença aqui, no Écailles, seja uma tonalidade mais voltada ao Black Metal do que no Souvenirs, além de músicas mais longas e com certa influência progressiva, especialmente nas duas primeiras. Se ele é um álbum que vai romper barreiras e paradigmas e, além disso, vai superar a qualidade e importância do antecessor, só o curso do tempo dirá. A minha primeira impressão, ainda bem crua, é de que se trata, sim, de um álbum primoroso, fortíssimo candidato desde já ao melhor álbum de 2010, mas que não conseguiu cumprir a missão de igualar o nível de qualidade do anterior. Talvez isso torne este CD menos atraente aos olhos dos fãs mais ardorosos da banda, mas isto seria um gravíssimo erro, em minha sincera opinião. Digo-lhes, escutem este CD como se fosse a primeira vez que escutam algo do Alcest e deliciem-se, pois uma pérola sônica assim é difícil de se ver por aí, a qualquer hora.

Well, that's all folks, enjoy it!

//Emergindo o tópico para deixar aqui o novíssimo trabalho da banda (?). Batizado de Les Voyages De L'Âme, continuamos aqui a desfrutar das belíssimas paisagens sônicas do nosso querido amigo Neige, recheadas de um bucolismo nostálgico revigorante. De distinto, noto alguns tons mais claros emanados das 8 canções que compõe o álbum, carregados de sentimentos mais positivos (menos negativos, vamos dizer assim...), mostrando que existem sim, dias de sol nas pastagens desoladas da Alceste. Para começar bem 2012, não há coisa melhor.

Enjoy!


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[2012] Les Voyages De L'Âme

01. Autre Temps (Album Version)
02. Là Où Naissent Les Couleurs Nouvelles
03. Les Voyages De L'Âme
04. Nous Sommes L'Emeraude
05. Beings Of Light
06. Faiseurs De Mondes
07. Havens
08. Summer's Glory


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[2010] Écailles De Lune

01 - Écailles De Lune (Pt. 1)
02 - Écailles De Lune (Pt. 2)
03 - Percées De Lumière
04 - Abysses
05 - Solar Song
06 - Sur L'Océan Couleur de Fer

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5 comentários:

André Luis disse...

simplesmente perfeito,nunca escutei nada nostalgico quanto o som do alcest

B. disse...

E aí Carlos, tambem poderia rolar uma review do Septembre Et Ses Dernières Pensées do Les Discrets? Já dei uma ouvida e achei perfeito.

.borges disse...

Esse é o em 128, né?

carlos disse...

Sim, é o de 128 mesmo, Borges. E se der, posto o Les Discrets novo hoje mesmo, já to subindo ele aqui. ;D

Nuno Laranja disse...

Obrigado pelo download. Estou ansioso para ouvir.