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The Sound




The Sound é uma banda britânica fundada no longíquo ano de 1979, tendo como seu líder um sujeito chamado Adrian Borland, razoavelmente conhecido pelo underground local da época por fazer parte de uma banda chamada The Outsiders que, segundo alguns relatos, foi a primeira banda punk inglesa a lançar um álbum de forma totalmente independente. A parte dessa discussão e de sua veracidade, o fato é que Borland parecia estar saturado da cena punk da época e procurava algo mais intimista e que permitisse uma variedade bem maior de temas e esferas musicais a serem exploradas, direcionando assim o som de sua nova banda (trocadilho tosco, mas não pude evitar) a nascente do post-punk que aparecia em plena florescência pela ilha da rainha no comecinho dos 80's.

Através de uma sonoridade sorumbática e com letras introspectivas e mordazes, ainda que sem perder o punch e vigor básicos do punk rock de onde Borland veio, o The Sound lança em 1980 seu primeiro trabalho, intitulado Jeopardy. Ganha um número razoável de críticas positivas, porém, sem muito sucesso de vendas, ganhando comparações a bandas como Joy Division, Echo & The Bunnymen e The Teardrop Explodes. Seu segundo álbum, From The Lion's Mouth, já mostra a banda refinando ainda mais a parte lírica e nas atmosferas que circundam suas canções. Apesar do sucesso de críticas, a banda não conseguia atingir um grande público ainda que tenha ganhado um certo status cult pelo underground inglês.

Fato esse que deixou a banda em conflito com sua gravadora, exigindo que eles fizessem músicas mais acessíveis e comerciais, o que, ironicamente, culminou no terceiro álbum da banda, All Fall Down, marcado por ser um álbum hermético e de difícil assimilação, soando inconstante e sem foco em muitos momentos ao longo de toda a sua extensão. Com isso, não houve nenhuma promoção do CD e a banda rompeu de vez com sua gravadora, decidindo passar um tempo fora do circuito e do universo musical até 1984, onde lançam um EP chamado Shock of Daylight seguido do álbum Heads And Hearts de forma independente, aclamado por muitos como os melhores trabalhos do The Sound. Neles, a banda arrefece um pouco do ímpeto dos dois primeiros trabalhos e leva um pouco do hermitismo espiral do terceiro, criando músicas mais maduras e, ao mesmo tempo, mais contudentes.

Apesar da boa qualidade de seus álbuns e de ter um certo status cult, a banda pouco conseguiu comercialmente em 8 anos de carreira, o que fez com que a banda, após o lançamento do Thunder Up (1987), resolvesse interromper atividades e cada membro tomou seu rumo, a maioria seguindo carreira solo. Seu principal membro, Adrian Borland, lançou alguns trabalhos solos, de fato, até que veio a cometer suicídio em 26 de abril de 1999, quando tinha 41 anos, escrevendo o ponto final na carreira do The Sound.

Uma história triste e permeada de injustiças, como são marcadas, infelizmente, o percurso de várias e várias bandas e pessoas pelo globo a fora. Ainda mais considerando a qualidade do conjunto em todos os aspectos da criação de sua música, merecendo com que os rapazes tivessem tido, na época, um reconhecimento pelo menos do nível de um Echo And The Bunnymen e um The Cult, pois ao meu ver possui mais qualidades e personalidade do que ambas. Talvez a falta de algum "hit" que bombasse nas FM's ou as letras mordazes e "explícitas" demais em sua melancolia e angústia afastassem as bandas de meios mais mainstreams e manteve a banda na obscuridade até que ela viesse a se dissolver quase em anonimato, vencido só hoje em dia graças ao advento da worldwide web.

Pois então, contribuindo para a divulgação de boas bandas sem muito reconhecimento por aí, deixo-lhes aqui a remasterização do Shock of Daylight e Heads And Hearts, lançados como um álbum só, em 1996. Um álbum que acho excelente e faz ver que existe muito mais do Post-Punk e New Wave oitentista do que The Cure, Joy Division, New Order e outros (sem desmerecê-los, of course) e que cai com uma luva com a possível renovação de interesse por esses gêneros devido ao surgimento de grupos como Ameseurs, Caïna, Feos, etc. que tratam de fundi-los com Black Metal.
Então, espero que apreciem-o ao seus bels prazeres. ;)


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[1996] Shock Of Daylight/Heads And Hearts

01. Golden Soldiers
02. Longest Days
03. Counting the Days
04. Winter
05. New Way of Life
06. Dreams Then Plans
07. Whirlpool
08. Total Recall
09. Under You
10. Burning Part of Me
11. Love Is Not a Ghost
12. Wildest Dreams
13. One Thousand Reasons
14. Restless Time
15. Mining for Heart
16. World as It Is
17. Temperature Drop
18. Blood and Poison
19. Steel Your Air


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The Cure




Como disse no tópico do Líam, é sempre interessante observar o curso da história a fim de compreender melhor o que acontece no presente, bem como observar a evolução das coisas como um todo. Observar a criação e desenvolvimento de vários universos musicais, quais bandas e pessoas fizeram parte desse universo e como fizeram é sempre um exercício muito instigante. Nesses universos, sempre há alguma banda ou pessoa que se destaque ou chame a atenção por algum motivo, e acabam deixando marcas tão profundas na sua evolução que elas não podem ser negadas ou ignoradas, e assim deixam seu legado para a geração posteriores. A banda que posto agora, The Cure, sob a batuta do Robert Smith, com certeza se encaixa nessa descrição.

Tendo sido formada no longíquo ano de 1976 e lançado seu primeiro trabalho em 1979, a história da banda praticamente se confunde com a da própria música, moda e ideologia dos anos 80. Iniciaram sua carreira ainda influenciados pelo punk rock que estava em pleno borbulhamento na Inglaterra naquela época, mas já apresentando características diferentes. Sua música era muito mais "doce" e soturna do que a desses grupos, e suas letras mais introspectivas e apolíticas, muitas vezes mergulhando em marés da melancolia e angústia num nível muito profundo, marcando o que seria o post-punk. Depois de três álbuns nessa linha, a banda produz um álbum bem pop e radiofônico, The Head On The Door, contendo o seu primeiro hit "In Between Days", fato que deve ter deixado os fãs antigos da bandas surpresos (num mau sentido). A partir daí, o Cure traçou uma estrada bipolar, compondo álbuns que continham músicas sorumbáticas e melancólicas à moda antiga junto com músicas mais alegres e acessíveis, sendo a maioria delas marcantes e muito expressivas em sua mensagem, harmonia, e na poeticidade das letras do Robert. A partir de 1992 o ritmo de produção da banda começou a desacelerar, tendo produzido desde aquela época apenas 4 álbuns (de estúdio, não considerando coletâneas, Lives e afins), onde o último foi lançado no último trimestre do já finando 2008, e tem mais um previsto para o início de 2009.

Os álbuns que vos posto, agora, são os pertencentes a uma chamada trilogia do Cure: Pornograhy, Disintegration e Bloodflowers. Todos eles compartilham uma mesma proposta sonora e lírica, permeada por uma atmosfera fria e tenebrosa, coberta por uma névoa de melancolia e desalento profundos e reverberantes por cada átomo que a constitui, tragando o ouvinte em seus vórtices e levando-os em viagens catárticas pelos recantos e escombros mais sombrios da alma humana, mas ainda assim soando passional, deleitosa e até sensual em alguns momentos.

No entanto, dá pra notar algumas peculariedades em cada peça da trilogia. Enquanto Pornography soa mais seco, terrível e assombroso, Disintegration soa mais etéreo e sereno, como um corpo prestes a se entregar as correntes do sono (entenda sono como bm quiserem) , anestesiado por seus sonhos quebrados e sentimentos negativos. Já o Bloodflowers... é mais difícil de definir, mas ele me parece mais romântico e sereno do que os outros dois, como uma pessoa já mais madura e conformada com seus desejos perdidos divagando sobre a poeira das memórias que foram deixadas para trás. Diria, então, que ele é um amálgama das duas peças anteriores, e funciona muito bem como tal.

Enfim, acho até redundante elogiar ou comentar os trabalhos do Cure bem como o quanto que influenciaram toda uma geração de pessoas e de estilos musicais, dos mais variados interesses, ideologias e personalidades. Várias e várias bandas de indie rock, post-rock, shoegaze, metal, etc. citam Cure como uma de suas influências, senão a maior delas, e pessoas das mais variadas "tribos" também o citam como inspiração e banda (mais) admirada, sejam góticos old school, nu-góticos (trocadilhos infames rules the divine), indies, headbangers, ecléticos (?), admiradores dos 80's, saudosistas, etc. e, se isso não é uma amostra da gigante marca que a banda deixou no universo musical, realmente não sei mais o que poderia ser. Sei, inclusive, que os álbuns que posto agora já são manjados de muita gente, mas para aqueles seres vivos, procariontes ou eucariontes, que ainda não dispõem deles em mãos, digo que deveriam pegá-los neste exato momento e apreciar cada nota que ecoa pelos auto-falantes ou headphones! Enjoy 'em all. ;)


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[2000] Bloodflowers

01 - Out Of This World
02 - Watching Me Fall
03 - Where The Birds Always Sing
04 - Maybe Someday
05 - Last Day Of Summer
06 - There Is No If
07 - The Loudest Song
08 - 39
09 - Bloodflowers


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[1989] Disintegration

01 - Plainsong
02 - Pictures Of You
03 - Closedown
04 - Lovesong
05 - Last Dance
06 - Lullaby
07 - Fascination Street
08- Prayers For Rain
09 - The Same Deep Water As You
10 - Disintegration
11 - Homesick
12 - Untitled


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[1982] Pornography


01 - One Hundred Years
02 - A Short Term Effect
03 - Hanging Garden
04 - Siamese Twins
05 - Figurehead
06 - A Strange Day
07 - Cold
08 - Pornography


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Sisters Of Mercy



Sisters Of Mercy foi formado em 1980 por Andrew Eldritch (vocal, inicialmente bateria) e Gary Marx (guitarra), tendo se juntado a eles, alguns anos depois, o baixista Craig Adams, um outro guitarrista chamado Wayne Russel (que alguns anos mais tarde viria a sair do Sisters e fundar o The Mission, banda que mantem até hoje) e uma "drum machina" conhecida como Dr. Avalanche.

A sonoridade do Sisters é marcada por vários aspectos, dentre eles o vocal extremamente grave e profundo do Eldritch, a sonoridade soturna e com influências psicodélicas, remetendo a Doors, Velvet Underground e ícones mais recentes como Joy Division em low/midtempo, além de letras de aspecto igualmente sombrio, abordando temas como fim do mundo, morte, e literatura de suspense/horror. Eles vieram a se tornar, posteriormente, um dos alicerces principais do chamado Gothic Rock, e tiveram uma influência seminal em praticamente tudo que foi feito dentro desse subgênero, e até nas subdivisões que vieram a ser criadas nos anos seguintes. Até mesmo em seu último trabalho de estúdio, Vision Thing, se tornou um álbum seminal para o chamado Glam/Gothic Rock, que entrou em evidência no começo desta década.

O álbum que posto aqui é o segundo trabalho da banda, chamado Floodland. É um pouco diferente do primeiro, First And Last And Always, devido principalmente a um racha na banda, onde Wayne Russel saiu e formou o The Mission. Percebe-se então que o lado mais melódico e acessível que a banda possuía, cortesia do Wayne, se perdeu um pouco, dando lugar a uma sonoridade ainda mais fria, seca e obscura, embora não menos envolvente e sem perder um décimo de sua qualidade. Para dizer a verdade, até me agrada mais o estilo deste álbum do que do anterior, e ainda mais do que o seguinte, mas isso é mera questão de gosto pessoal...

O que posso dizer então é que vale muito a pena, nem que seja uma simples conferida, escutar este álbum. Não só pela sua importância histórica seminal, mas pela qualidade musical que ele também possui. Acredito que os mais chegados em post-punk e afins já saibam de cor cada acorde do CD, mas é uma boa chance de conhecer para aqueles que chegam agora neste microcosmo gótico (sic) ou são apenas entusiastas da boa música e ainda não o conhecem. Bom, é isso. Enjoy it! ;)


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[1987] Floodland

01 - Dominion - Mother Russia
02 - Flood I
03 - Lucretia My Reflection
04 - 1959
05 - This Corrosion
06 - Flood II
07 - Diven Like The Snow
08 - Never Land
09 - Torch
10 - Colours


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