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Starfire Connective Sound




Em pleno Corpus Christi, posto aqui uma bela surpresa. Atendendo pelo interessante nome de Starfire Connective Sound, SCS, trata-se de um projeto criado e desenvolvido por um único membro, Al Schenkel, vindo das terras catarinenses de Criciúma. Não é comum postarmos bandas nacionais nesse espaço, não por preconceito, lógico, mas pela minha ignorância sobre as mesmas. Algo que estou lutando em modificar, devo dizer...

Enfim, acerca do SCS, o que exala aos nossos ouvidos logo nas primeiras notas são aquelas cachoeiras e tormentas de distorção, do jeito que os mestres do Jesus and Mary Chain ensinaram a uns 26 anos atrás. Porém seu universo sonoro não limita-se nas paredes de estática impenetráveis já tradicionais do Shoegaze, como também explora as galáxias industriais e valem-se de Post-Rock e (Dark) Ambient em momentos oportunos. Vale ainda destacar que, diferentemente de muitas bandas do tal gênero, suas faixas possuem um tom bem mais selvagem e cavernoso, talvez pela ausência de vocais, talvez pela mescla de diferentes influências e vertentes sônicas, ou talvez fruto de algum fantasma feito do spleen, bem conhecido pelos poetas do séc. XIX, que decidiram assolar a mente do nosso amigo Schenkel ao compô-las. Destaco aqui algumas faixas, como They Call Her One Eye, cujo nome deve fazer referência ao filme sueco, homônimo, de 1973. Muito interessante, por sinal, uma inspiração plena pro Kill Bill e afins. E destaco ainda a eletrônica Eletric Whore (até eu que não tenho muita afinidade e simpatia por modernices eletrônicas vim a curtir) bem como os ares moribundos post-punk-like do Walt Whitman's Brain.

Por fim, as 6 músicas aqui presentes seriam de forte agrado aqueles aficcionados no já mencionado JAMC e toda a verve mais 'noise' e 'harsh' do Shoegaze, bem como aqueles interessados em Industrial, Dark Ambient, Drone, Post-rock e doidices undergrounds sorumáticas como um todo, construindo um EP bem harmonioso e homogêneo, sendo um excelente aperitivo para desenvolvimentos futuros. Potencial, há de sobra. Só resta mesmo gente que apoie e divulgue, algo que decidi fazer, e creio que não serei o único. ;)


//Deixo-vos o mais novo trabalho do Schenkel. Sob o nome de The Sound Also Rises, a alquimia de Shoegaze, Noise, Industrial e barulhagens diversas mostra-se ainda mais coesa em meio ao seu caos habitual e também refinada. Tenho notado uma cena emergente de bandas Alternativas com forte inspiração nos microcosmos do Shoegaze, Lo-fi, Guitar band, Grunge, dentre outros que marcaram a cultura e cenário musical de 2 décadas atrás, todas com excelente qualidade e talento transbordantes. Nada mais justo do que apoiar uma dessas iniciativas árduas.

Enjoy!


[last.fm] | [bandcamp]





[2011] The Sound Also Rises (EP)

01. Drive The Breeze
02. The Girl With A Country Name
03. The Sound Also Rises
04. Acid Morning Ride
05. To Dream That You Are Floating Drunk Among The Storm
06. No Horse Heaven
07. Head Full Of Ghosts, Heart Full Of Whores
08. Drive The Breeze (Echo Vocal Mix, por Fabio Bridges)


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[2011] Starfire Connective Sound (EP)

01 - I Sweep The Streets Without Finding God
02 - The Modern Cave
03 - They Call Her One Eye
04 - Electric Whore
05 - Love Is A Lonely Ghost Floating Inside
06 - Walt Whitman's Brain
07 - Starfire Connective Sound


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Bohren Und Der Club Of Gore



Se alguém, hoje em dia, tem dúvidas sobre o fato dos artistas, de qualquer "ramo", terem esgotado todas as suas fontes criativas e perdido contato com as musas, o Bohren vai fazer com que revejam seus paradigmas. Sua origem remonta do já longínquo ano de 1992, sob o nome de Bohren, em terras alemãs, via três amigos de escola, Thorsten, Morten, Reiner. Todos já tinham background de bandas HC daqueles idos, e compartilhavam interesse também em Metal extremo e as tonalidades obscuras e tortuosas que o Black Sabbath ajudou a criar e espalhar por aí. Mas pensa que pararam por aí? Pois bem, eis que eles resolveram fazer algo um tantinho diferente: Fundir o universo do Doom Metal sabbathístico com Jazz! Quem lê, logo fica com um "WTF" estampado na cara. Coomfas/ É, eu também fiquei com essa interrogação nadando na mente assim que li a descrição de seu trabalho. Como podem conseguir tal feito? Aparentemente, é como fazer óleo interagir com água e, disto, sair algo plenamente viável e natural...

Seu primeiro trabalho foi um EP, datado de 1993. Já nesta época, seu nome tinha a cara que conhecemos hoje, Bohren Und Der Club Of Gore. Não muito depois, vieram dois full-lengths, Gore Motel e Midnight Radio, lançados nos anos subsequentes. Porém, não foi até o seu trabalho seminal, Sunset Mission, que o Bohren veio a assumir sua forma definitiva. Nos primeiros CDs, ainda encontram-se resquícios de Metal em sua música, cortesia das guitarras ainda presentes em suas músicas, e a estrutura delas ainda era mais simples. Porém, no SM, as faixas ganharam proporções épicas, verdadeiras viagens caleidoscópicas por paisagens decadentes e hediondas, envolvendo a quem ouve numa atmosfera enfumaçada de ansiedade, frustração, cigarro de má qualidade, gatos vadios e lowlifes sem esperança perambulando pelas ruas ermas e sujas de algum subúrbio abandonado às 4:12 AM. Claro, isso o ouvinte estando sob uma bad trip das brabas, assolado por vórtices espirais náusea, vertigem, e vendo duendes zombando e trollando sua cara a toda hora, enquanto tenta achar a chave de casa que caiu no chão, provavelmente num ralo do esgoto a céu aberto. O resultado disso é algo não mais do que genial, ganhando a tag de Doom Jazz por parte daqueles que adoram rotular tudo onde põem os ouvidos. Tag essa que não podia ser mais adequada, devo dizer-vos.

Depois do Black Earth (2002), Geisterfaust (2005) e Dolores (2008), temos em mãos o Beileid, EP a sair no próximo dia 22. São só 3 músicas, que, se não é nada brilhante em relação ao que já fizeram, tem muito a enriquecer sua já assombrosa discografia. A primeira música, Zombies Never Die, surpreende um tanto com uma aura meio bluesy. E essa aura não podia envolver melhor seu universo sonoro, soando como uma pitada de pimenta exótico em meio ao prato do dia-a-dia que você se acostumou a degustar. A última faixa, auto-intitulada, segue a linha do álbum antecessor. Nada de novo no fronte, mas nada de mau também. É tipo um filme que você já assistiu zilhões de vezes, mas ainda assim sente prazer em assistir cada pedacinho, cada fala, cada momento infinitesimal dele. Já o destaque mesmo vai para a segunda, Catch My Heart, tendoa participação de nada menos que o Lord Mike Patton, emprestando sua versatilidade para a banda. Provavelmente um cover, só não sei de quem, e a preguiça me impede de saber mais. Pois então, colaboração mais adequada, impossível, não acham? Deve-se ainda salientar que tal faixa me soou mais como um Jazz "tradicional", fugindo um pouco (pouco mesmo), do esquema tradicional do Bohren, mas ainda assim, se encaixando naturalmente com a proposta sônica que cultivam.

Em suma, um grande trabalho, que, ainda curto, não deve nada a seus antecessores. Faz-nos ver que músicos de qualidade ainda existem, e sempre prolíferos e buscando novas soluções e novos veios a seguir, tentando sair da caixa e trazer novas tonalidades a um horizonte já gasto e sem tanto brilho, como vem sendo a música, como um todo, nesses últimos aeons.
Só digo mais isso, aproveitem!


//Deixo-vos a discografia da banda. Como os posts aqui tem se tornado cada vez mais esparsos, nada mais ideal para um presente de páscoa (cof cof) para vocês como este. Sirvam-se de Scotch, Kafka, David Lynch e... aproveitem!







[2011] Beileid

01 - Zombies Never Die (Blues)
02 - Catch My Heart
02 - Beileid






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(new link!)





[2009] Mitleid Lady

01 - Mitleid Lady


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[2008] Dolores

01. Staub
02. Karin
03. Schwarze Biene (Black Maja)
04. Unkerich
05. Still am Tresen
06. Welk
07. Von Schaebeln
08. Orgelblut
09. Faul
10. Welten


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[2005] Geisterfaust

01. Zeigefinger
02. Daumen
03. Ringfinger
04. Mittelfinger
05. Kleiner Finger


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[2002] Black Earth


01. Midnight Black Earth
02. Crimson Ways
03. Maximum Black
04. Vigilante Crusade
05. Destroying Angels
06. Grave Wisdom
07. Constant Fear
08. Skeletal Remains
09. The Art of Coffins


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[2000] Sunset Mission

01. Prowler
02. On Demon Wings
03. Midnight Walker
04. Street Tattoo
05. Painless Steel
06. Darkstalker
07. Nightwolf
08. Black City Skyline
09. Dead End Angels


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[1996]
Schwarzer sabbat fuer dean martin

a01 - Schwarzer sabbat fuer dean martin
b01 - Menschestaub
b02 - Dermfraeuser
b03 - Aeste
b04 - Madenmeer
b05 - Gemaltes Seegrab
b06 - Gefroren



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[1995] Midnight Radio

Disc 01:
01 - 1.
02 - 2.
03 - 3.
04 - 4.
05 - 5.


Disc 02:
01 - 6.
02 - 7.
03 - 8.
04 - 9.
05 - 10.
06 - 11.



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[1994] Gore Motel

01 - Die Nahtanznummer, Teil 2
02 - Sabbat Schwarzer Highway
03 - Gore Motel
04 -Dandys lungern durch die Nacht
05 -Dangerflirt mit der Schlägerbitch
06 - Conway Twitty zieh mit mir
07 - Die Fulci Nummer
08 - Der Maggot Tango
09 - Texas Keller
10- Trash Altenessen
11 - Cairo Keller
12 - Gore Musik



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p.s.
: Peço desculpas, em nome de todo o staff do ETS, pela escassez sem precedentes de postagens. Duas semanas em meia sem postar nada foi algo inaceitável, porém, infelizmente o tempo me faz muito mais curto agora, como mestrando em outra instituição. Prometo tentar ser menos desleixado com esse espaço aqui, vocês merecem mais atenção.
Link

Grails



Procurando aqui algumas referências a fim de servir como ponto de partida para fazer minha mais nova resenha, me deparei com algo que condensa todo o significado da música do Grails, motivo deste post. Ei-lo:

"In some pieces there is the brightest most powerful and vibrant feelings and then some contain foggy, draft and dark drenched cascading parts swirled in tragedy. It’s an emotional rollercoaster, a voyage of human experience and the opening of the higher states of conciousness. This record swirls and shifts around in the mix as if magic is being conjured up from the residency of another dimension."

Em essência, temos aqui definido do que se tratam. Vindos de Portland, do estado de Oregon, US, e tendo em seu line-up o baterista do Om, posso dizer com segurança que o Grails é algo diferenciado em meio ao mar profundo de copycats atual. Sua base Post-Rock fornece o esqueleto necessário para arquitetarem suas atmosferas hipnóticas, transcendentes e apimentadas com um toque místico oriental que não poderia vesti-mas de melhor forma. Podemos compará-los ao próprio Om, Sleep, EARTH, enfim, todo o Stoner/Drone e simpatizantes em muitos momentos, pois a "vibe" de suas músicas, em muitos momentos, é compartilhada fielmente com a das bandas supracitadas. Mas o Grails vai além disso, é certo. Não tem vergonha de pedir emprestado aqueles matizes sonoros já esquecidos na névoa de naftalina e psicoativos made in '71 , puxando nomes como Popol Vuh, Can e aquela vertente "dark" do Prog da época, tipo King Crimson e Van Der Graag Generator. O saldo final de tudo isso são álbuns que podiam muito bem ser trilha sonora de um filme dirigido por algum Jodorowsky da vida.

Disponho aqui para vocês o mais novo trabalho dos Grails, intitulado Black Tar Prophecies Vol. IV, sendo ele composto por 5 faixas razoavelmente curtas que deixam um sabor de incompletude na boca de cada um que resolve degustá-lo. Se não é o melhor álbum já feito por eles até o momento presente, certamente deixa a vontade de conhecê-los melhor e saber o que eles já deixaram por aí, ao longo da trilha do tempo. Pois bem, espero que gostem!

"Spread the gift of Grails to your friends, family and anyone into the harmony of solitude and quite areas of this earth where the energy flow is strong from a lack of disbursed qualities that city life incurs. These are really amazing songs, pieces of art that stand out and take shape as head music; music for thought, contemplation and study. Grails comes from Portland but their sound reaches far into the depths of contemporary music and the essence of knowledge itself. Black Tar Prophecies is a stunning series, Vol 4 is a mind altering serene gift, a planting of a seed for a standard in one of the modes of expression in modern culture. Vol 4 is a look to the past, the future and of course something that is completely in the now. ~ Erik Otis"

//Ressuscitando o tópico para postar-vos o novo trampo da banda, Deep Politics. O amálgama de Post-Rock, Doom Metal, Stoner, Dark Ambient, Psychedelic, Folk, whatever continua perfeitamente coeso e temperado, aliás, diria até que nunca esteve melhor. Os rapazes refinam seu cosmo sonoro a cada trabalho de uma maneira sensacional e incrível. Quem não baixar (ou não curtir) esse novo CD vai merecer um belo cascudo! LOL. Enjoy it!


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[2011] Deep Politics

01. Future Primitive
02. All The Colors Of The Dark
03. Corridors Of Power
04. Deep Politics
05. Daughters Of Bilitis
06. Almost Grew My Hair
07. I Led Three Lives
08. Deep Snow


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[2010] Black Tar Prophecies Vol. IV

A1 - I Want A New Drug
A2 - Self-Hypnosis
B1 - A Mansion Has Many Rooms
B2 - New Drug II
B3 - Up All Night


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Kammerflimmer Kollektief




Kammerflimmer Kollektief, nome trava-língua e aparentemente estranho aos nossos olhos acostumados a palavras latinas e uma menor presença de consoantes, teve seu nascimento na cidade de Karlsruhe, Alemanha, no ano de 1997. Assim que começaram a lançar material, chamaram logo a atenção da mídia local e ganharam descrições bem interessantes do naipe de: "A simulation of jazz with pop appeal (melodies!). “Instrumental drones & central European freakouts on violins and reeds. A kind of European down home NoWave” was what Matt ffytche in The Wire called it." Tendo já sete álbuns na bagagem e bons anos de estrada, chegam ao seu oitavo trabalho intitulado Wilding.

A música dos KK (não é uma risada e nem uma apologia a finada klu-klux-klan, fiquem calmos) é enigmática e noturna, orgânica e silente, ainda que pareça estar encoberta por uma espécie de névoa perfumada com neuroses. Suas top tags são Experimental e Jazz, mas não tenho medo de dizer que o Dark Ambient é o elemento mais presente, ao menos neste álbum. Ainda assim, é possível notar alguns ecos de Post-Rock soando desoladamente aqui e acolá, conferindo texturas sonoras ainda mais ricas no curso de suas 12 faixas.

Se isso não é uma descrição interessante, não sei mais o que pode ser. Kilimanjaro Darkjazz Ensemble é um bom análogo ao trabalho dos cidadãos germânicos, assim como penso que fãs de Bohren & Der Club Of Gore e até mesmo Ulver viriam a apreciá-los. Mas, tenham em mente, estes nomes são apenas referências, nada além disso. Não lembro de ter ouvido nada semelhante nesses 23 anos de vida e, se eles me surpreenderam na primeira audição a ponto de fazer-me escrever essa resenha na quarta audição, apenas, novamente, não sei mais que melhor indicativo poderia ter. Music for headphones and darkness. Enjoy it!


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[2010] Wilding

01 - Move Right In
02 - Silver Chords
03 - Aum A Go-Go
04 - In Transition (Version)
05 - Spookin' The Horse
06 - Blind
07 - Rotwelsch
08 - Time Is The Fire In Which We Burn
09 - Cry Tuff
10 - We Paint The Town Beige
11 - There's A Crack In Everything
12 - Milte Hi Ankhen (aka Bird In Hand)


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Dale Cooper Quartet And The Dictaphones




Emergindo da França, taí algo um tanto diferente do usual para apresentar-lhes hoje. Trata-se de Dale Cooper Quartet And the Dictaphones, ou só DCQATD (pois abreviar é sempre preciso), um quarteto (oh) que se dedica a um novo subgênero que vem ganhando força, seguidores e mão-de-obra nos últimos tempos, alcunhado por Doom Jazz.

Muitos aqui já devem conhecer o nome Doom Jazz devido ao Bohren & Der Club Of Gore, praticamente o artista que consolidou o estilo e o nome que ele leva. Pois então, parece que já vem surgindo por aí (ou então, simplesmente decidiram sairam da toca) os seus discípulos, caso que corresponde exatamente aos Dictaphones do Dale Cooper. Claro que ainda não encontramos aqui a maestria sublime do supra-citado, ou mesmo do Kilimanjaro Darkjazz Ensemble, mas fechar os olhos ao potencial pulsante dos rapazes (ou não tão rapazes assim...) seria, no mínimo, ignorante e pouco inteligente.

Sua música, embora minimalista, é bastante rica e permeada de detalhes que só mesmo os ouvintes mais atentos munidos de bons headphones são capazes de perceber, sendo capaz de mesclar com equilíbrio maestral a esfera acústica com um certo ar vintage com a esfera eletrônica de perfume pós-moderno, fazendo evocar atmosferas não menos que enigmáticas, densas e vertiginosas. É quase como mergulhar de cabeça num filme do David Lynch, ou passear por pubs obscuros e subversivos nas altas horas da noite em alguma parte abandonada de uma megalópole sob efeito etílico a procura de fantasmas, acalanto, Marlboro e uma pílula de neosaldina. (?!)

Viagens caleidoscópicas a parte, taí algo que foge totalmente do usual e capaz de satisfazer não só a galerë mais chegada ao lado experimental e vanguardista da força mas também aqueles ávidos por curiosidades bizarras e desejam requintar ainda mais seu repertório musical. Aproveitem! (;


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[2007] Parole De Navarre

01 - Ta Grenier
02 - Une Celier
03 - La Boudoir
04 - Aucun Cave
05 - Ma Dressing
06 - Ma Couloir
07 - Sa Vestibule
08 - Mon Bibliotheque
09 - Eli Corridor
10 - Lui Hall


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Nadja



Nadja é o projeto musical criado por Aidan Baker e Lea Buckareff oriundos de Toronto, Canadá, isso em meados de 2002. Desde a época de sua criação, o Nadja vem se mostrando bastante prolífico e consolidando o seu público, bem como seu nome na própria cena (se é que pode ser vista ou considerada uma cena de fato) do chamado Drone Metal, através de seus constantes lançamentos e os splits com bandas que flertam com o gênero, de algum modo, como o Methadrone, Atavist, Moss e mais recentemente o A Storm Of Light, sem contar os trabalhos solos do próprio Aidan e Lea, o que viria a somar ainda mais ícones ao seu já extenso catálogo.

Sendo mais específico sobre o trabalho do Nadja, o som deles baseia-se no Drone e Dark Ambient como disse anteriormente, e logicamente emana influências dos nomes mais famosos do gênero como o EARTH e o Sunn O))), porém podemos encontrar grandes diferenciais do Nadja em relação a essas bandas. Assim como elas, o Nadja constrói em suas músicas um vórtice sônico amorfo, denso e reverberante, algo que chega quase a "sufocar" aqueles mais desavisados ou desacostumados com o gênero, porém, é notável que o duo canadense possui uma preocupação bastante intensa com a melodia em si, bem como os ritmos e o modo como as experimentações são feitas e transpostas sob a forma de música, o que faz de sua música mais palatável e interessante, ao meu ver, nos deixando com vontade de mergulharmos de cabeça em seu oceanos de distorção e catarse para ver que tipo de algas, corais e criaturas exóticas moram lá no fundo.

Além do split com o A Storm of Light, lançado recentemente, o Nadja lançou um CD só contendo covers das mais variadas bandas, de A-ha até Slayer (!) e passando por Cure e My Bloody Valentine. Fica difícil julgar um álbum contendo somente composições de outras bandas que não eles, mas é, sem sombras de dúvidas, muitíssimo inusitado e interessante acompanhar a tradução dessas músicas para o universo sônico nadjiano, tanto pela sua criatividade quanto pela viagem em si que elas nos proporcionam. Bem, isso é tudo, espero que aproveitem-o muito bem e fritem deliciosamente seus neurônios! ;)

*Aproveitando a deixa para postar mais um trabalho do Nadja, sob a alcunha de Clinging To The Edge Of The Sky. Só tem uma música que dura por volta de 17 minutos, que parece ser na verdade uma criação somente do Aidan Baker. Isso é notável pelo enfoque mais Ambient dela, fazendo-me lembrar inclusive Bohren & Der Club Of Gore em sua textura e atmosfera. Um belo trabalho, devo dizer. Music for headphones and darkness. Enjoy it!


//Update 2: Novo full-length da dupla Aaron & Lea, chamado Autopergamene. Nele, encontram-se tantos faixas mais calcadas no Dark Ambient quanto o lado mais pesado e direto do Nadja, soando como uma boa síntese desses dois universos que constituem sua única sonosfera. Recomendado altamente, como sempre!


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[2010] Autopergamene

01 - You Write Your Name In My Skin
02 - You Write My Name In Your Head
03 - You Write Your Name In My Blood


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[2009] Clinging To The Edge Of The Sky

01 - Clinging To The Edge Of The Sky


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[2009] When I See The Sun Always Shines On TV

01 - Only Shallow (My Bloody Valentine cover)
02 - Pea (Codeine cover)
03 - No Cure For The Lonely (Swans cover)
04 - Dead Skin Mask (Slayer cover)
05 - The Sun Always Shines On TV (A-ha cover)
06 - Needle In The Hay (Elliott Smith cover)
07 - Long Dark Twenties (Kids In The Hall cover)
08 - Faith (The Cure cover)


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The Mount Fuji Doomjazz Corporation




The Mount Fuji Doomjazz Corporation
é um nome pomposo e um tanto bizarro, porém, de alguma maneira pode soar déja vu para alguns frequentadores do blog, ou mesmo alguns coinesseurs de congêneres. Isso porque a banda nada mais é do que o alter ego do The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble, banda que já figurou nos nossos posts há algum tempo, sendo inicialmente criada por Jason Kohnen e Gideon Kiers, em 2000, com uma proposta de desenvolver algo que remetesse as trilhas sonoras de filmes mudos antigos, tais como Metropolis e Nosferatu. Evoluindo de um duo para uma banda de 6 membros, o ano de 2006 viu nascer o primeiro trabalho do TMFDC (abreviar é preciso, leia da menos esforço sempre operante), batizado de Succubus, nome que segundo a mitologia simboliza um demônio feminino que invade os sonhos do homem e absorvem sua energia através do prazer sexual.

Apesar dessa informação ser aparentemente solta, a sensação emanada por cada uma das 13 peças que compõem o álbum traduzem bem a aura deste mito. A começar pelos títulos um tanto, digamos, pervertidos, as músicas são regidas num ritmo lento que às vezes (não muito frequente) ganha velocidade e impacto em momentos de maiores tensões. A parte disso, elas ainda são revertidas por uma atmosfera noir nefastamente saborosa, sem medo de evocar essências obscuras e profanas, construindo assim algo maldito ainda que profundamente envolvente e sensual, por muitas vezes, transitando entre o cosmos do Dark Ambient, Drone e Jazz com igual perícia e desenvoltura.

Depois de ter ouvido este CD com alma, me arrependo e muito de não ter-lhe dado a devida atenção assim que peguei. Imaginei que seria somente uma "distração" do TKDE, talvez destituído de seu brilho e qualidade, mas não podia estar mais enganado. Talvez seja a banda que mais se aproxima do Bohren & Der Club Of Gore na idéia de fundir o Jazz com música ambiente com sabor noir, apesar do foco maior do Mount Fuji esteja no Ambient e não no Jazz em si. No entanto, rotulações e catalogações sonoras a parte, é um puta álbum. Digno de se ouvir em noites chuvosas, no fim da madrugada de preferência, munidos de bons headphoes.

Bom, taí o recado. Enjoy it. ;)


[last.fm]





[2006] Succubus

01. The Sexy Midnight Torture Show
02. Erotic Love Queen
03. Strange Dreams
04. Castles By The Sea
05. The Admirals Game
06. The Morning After
07. Perverted Pleasure Party
08. A Bad Trip
09. A Place For Fantasies
10. Murder Amongst Mannequins
11. Fleeing The Scene
12. Deadly Rehearsal
13. Faustine


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Njiqahdda




Njiqahdda é um dos projetos mais instigantes e misteriosos do Black Metal contemporâneo. Aparentemente, foi formado em 2006 por dois irmãos, que se intitulam '/' e '__ ' (ótimos pseudônimos, né?), oriundos das terras estadosunidenses. Lançaram, desde então, 7 full-lengths, 2 EPs, 1 demo e 1 split, através de um pequeno selo chamado EEE, sem contar os trabalhos do alter-ego Njiijn, que, diferente (mas nem tanto) do Njiqahdda, tem a proposta mais calcada no Dark Ambient/Ritual.

Sobre a música do Njiqahdda em si, trata-se de um Black Metal profundamente Atmosférico mas permeado de nuances e tinturas psicodélicas, bebendo, ainda, em fontes como Shoegaze, Noise e Dark Ambient em vários momentos. Sua música é altamente influenciada por temas como a natureza, transcendência, meditação, ancestraldiade, etc. o que faz com que cada uma de suas faixas soem como verdadeiras viagens lisérgicas pelos recantos desconhecidos e enigmáticos da própria mente e do nosso cosmo.

Interessante, ainda, é reparar que tanto o nome da banda quanto o dos álbuns e de suas faixas são escritos numa língua que é uma espécie de amálgama de línguas antigas como o nórdico/escandinavo, junto com grego, árabe e inglês, conferindo um tom ainda mais exótico ao seu trabalho, fato que é ampliado, ainda mais, se levar em conta que a maioria da capa dos álbuns da banda são... coloridos! Isso mesmo, coloridos! Algo raríssimo no Black Metal, deva-se dizer. O que mostra a relação estreita que a banda possui com a natureza e a atitude diferenciada que possuem em relação as demais bandas do meio.

No álbum que vos posto, intitulado Taegnuub - Ishnji Angma, pode-se perceber uma mudança sutil de direcionamento de seu trabalho. As músicas estão mais curtas e mais focadas nos terrenos Black Metal, soando mais diretas e brutais, digamos assim, mas sem desfigurar a identidade de seus antigos trabalhos de forma alguma. Mas, ainda assim, as passagens ambientes e psicodélicas se mostram ainda mais profundas e bem delineadas do que outrora, o que demonstra o quanto o Njiqahdda está evoluindo e se aprofundando em seu próprio microcosmo. É um álbum estranho, de fato, mesmo para aqueles já habituados a esquisitices musicais do gênero, mas não deixa de ser um passeio instigante e catártico, válido de ser ouvido mesmo que só em nível de curiosidade ou de experimentalismo. E ele se torna ainda melhor de se ouvir em noites mais frias e chuvosas, devo dizer. ;)

Enfim, aproveitem-o!


//Deixando aqui mais um trabalho do Njiqahdda realizado em 2009, chamado Yrg Alms. Nele, percebo um direcionamento um pouco mais acessível em relação aos trabalhos antecessores, seguindo uma linha que oscila entre o Black Metal atmosférico, com cheiro de mato à la com Drone/Shoegaze à la WITTR, Nadja, Methadrone & cia. Pelo jeito, o duo engatou uma 7ª marcha e tem produzido álbuns e EP's em ritmo industrial (não exatamente no gênero musical, mas sim a indústria propriamente dita, dik), mostrando que eles parecem estar no ápice criativo, porém, tem se tornado praticamente impossível seguir o que eles fazem, tamanha a velocidade que lançam novos materiais. Como este parece ser o últim o full-length de fato e mostram elementos diferenciados e interessantes em relação ao que tinha deixado aqui, resolvi postá-lo, pronto para a degustação de vossas pessoas. Aproveitem-o bem! ;)


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[2009] Yrg Alms

01 - Ingratuu Maate Lagentii
02 - Sombre Fortu
03 - Saavolungaat
04 - Yrg Alms
05 - Abyssii Iiortuu Liomaatiin


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[2009] Taegnuub - Ishnji Angma

01 - Purnakalamanna
02 - Silvaan Mortaa Esk Aal
03 - Njiuni Elova
04 - 'U Finuug Vraam
05 - Ishnji Angma
06 - Taegnuub
07 - Aski
08 - Nil Fyan Utopiia


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Yoga




Quando eu comecei a andarilhar pela internet em busca de informações sobre a banda que pretendia postar, o Yoga, me deparei justamente com esse texto no last.fm deles, a seguir:

“Understand this: Yoga dispenses a sinister frailty of howling swells in hissing static that combusts into crawling shock heaps, to the effect of Mayhem performing Twin Peaks incidentals in a prairie recorded by The KLF. A brief description casts them as black metal’s answer to Throbbing Gristle. The texture-based rendering of their compositions sails them on a strange sea between song and sound effect as it bobs along the waves like a dead man’s bottled message. Aspects of Goblin rehearsals in dead hills is interrupted as Monster Zero carves mountain sides with lightning breath. Oscillating leads pummel into churning riffs as if Caledonia was performed in an echo chamber near Lodi, New Jersey. The extrinsic properties of this work may result in disambiguation.”

Interessante, não? Pois bem, tentando ser um pouco mais objetivo, diria que o Yoga orbita sem escrúpulos e discrições entre os universos do Black Metal, Dark Ambient, Drone e música psicodélica, sendo eles devidamente tecidos com matizes surrealistas que não raramente evocam atmosferas transcendentais e obscuramente esotéricas, soando como um prelúdio para revelações de alto teor apocalíptico. Se desejam ainda algum comparativo para compreender melhor do que se trata tudo isso, digo que nomes como Wolves In The Throne Room, Njiqahdda e Menace Ruine, com ênfase nos dois últimos, podem dar boas respostas para estes questionamentos.

À primeira vista, sua proposta parecer meio caricata, e de fato não discordo. Só que a banda (na verdade, um duo) parece não se importar com isso, querendo justamente usá-lo para difundir o seu projeto e torná-lo acessível aos ouvidos e headphones de muitos pela Terra a fora. No mais, o duo ainda possui o mérito de construir músicas mais curtas, diretas e easy-listening do que a grande maioria de bandas que permeiam o seu gênero, fazendo com que a audição seja menos dolorosa em alguns momentos. No mais, posso dizer que gostei sim, um bocado do que ouvi aqui, e é digno de uma melhor divulgação e reconhecimento pelos recantos interdimensionais do nosso cosmos.


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[2009] Megafauna

01 - Seventh Mind
02 - Flying Witch
03 - Encante
04 - Wagion
05 - The Hidden People
06 - Dreamcast
07 - Fourth Eye
08 - Black Obelisk
09 - Treeman
10 - Warrior
11 - Haunted Brain
12 - Chupacabra's Rotting Flesh


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Umbra Nihil




Pré-script: Devo pedir desculpas pelas postagens escassas, meu horário na faculdade está bem mais cheio dessa vez e imagino que meus colegas de blog estejam igualmente apertados. Bem, esse é o recado, agora vou ao que interessa:

Umbra Nihil é uma banda vinda das gélidas terras do norte finlandês, nascida em meados dos anos 2000. Tendo lançado seu primeiro trabalho, uma demo contendo 5 faixas, em 2002 e recebido uma certa atenção por causa dela, pouco tempo depois utiliza as mesmas 5 faixas num split com os conterrâneos do Aarni e lançado seu primeiro full-length pela firebox em 2005, chamado de Gnoia. Depois de um hiato de mais de três anos, a banda ergue-se de sua sepultura e volta a terra, lançado o The Bordeland Rituals em 2008, álbum que posto aqui agora.

A sonoridade da banda é um tanto difícil de se definir. Suas raízes estão certamente aterradas nas florestas do Funeral Doom Metal e percebe-se em seu som influências marcantes de vários mestres do estilo (Thergothon, Skepticism, Esoteric, só para citar alguns), mas o Umbra Nihil o acrescenta uma série de elementos inusitados e uma abordagem igualmente inusitada para o gênero. Além de explorar devidamente nuances ambientes (algo não muito incomum, até), a banda acrescenta toques psicodélicos as suas criações, criando assim uma atmosfera nebulosa, grotescamente obscura e permeada de nuances surrealistas, algo digno dos universos da obra de tH.P. Lovecraft ou mesmo das criaturas do H.R. Giger, o que foge um pouco do padrão do dubgênero, normalmente voltado a temáticas melancólicas de grande profundidade porém sem perder a sua essência em nenhum átomo.

O álbum postado aqui agora, The Borderland Rituals, demonstra algumas ligeiras mudanças (ou evoluções, como queira chamar) em seu universo sonoro, através da presença de vocais limpos bem como uma atmosfera menos tenebrosa e mais cristalina, fato que deve ter sido influenciado pela produção, desta vez superior aos outros álbuns. Mas em nenhum momento digo que a banda perdeu a mão ou mesmo desceu na escala de sua qualidade artística, pois tanto essa qualidade como os elementos que a tornaram de certa forma cultuadas pelos amantes do Funeral Doom permanecem lá, para sua (e minha também) "alegria". Bem, espero sinceramente que gostem!


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[2008] The Bordeland Rituals

01 - Welcome To Borderland
02 - Open The Gate
03 - Leaving The Body
04 - Sea Of Sleep
05 - The sign Of Death


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