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The Myrrors



Pouco se sabe ou se encontra sobre os Yspelhos (trocadilho irresistível e idiota, como de costume) pelas dimensões infindáveis da internet, mas o que encontrei já foi suficiente para que a banda figurasse incessantemente no meu mp3 e na minha tracklist. Não sei sobre suas origens e nem muitos detalhes sobre seu percurso; só sei que o quarteto que dá carne a banda vem de Phoenix, Arizona, USA, e que lançaram um único full-length em 2008 e cessaram atividades no final de 2009, infelizmente.

Mas vamos ao que realmente importa: sobre a música dos rapazes, temos aqui um representante legítimo do legado deixado pelo Stoner/Proto-Doom Metal do Black Sabbath, pelo Psychedelic do Pink Floyd (Syd Barrett era, especialmente), do Kraut-Rock, da cena do Palm Desert, e do legado constrúido em sólido firmamente por bandas contemporâneas do chamado Neo-Psychedelia, tipo Black Angels, Asteroid #4, Morning After Girls. Os rapazes se enveredam por jams que levam facilmente o ouvinte, ora a redes cósmicas jamais tocadas e sonhadas por nenhum humano, ora as paisagens desoladas e incandescentes do deserto do sudoeste estadunidense, ora a mundos arcanos e esotéricos recortados diretamente das obras do Jodorowski. Tudo preparado com os melhores codimentos alucinógenos que existem na neurologia e farmácia atuais, claro. Para melhor visualização e degustação, basta conferirem logo de cara a faixa Warpainting, um dos pontos altos do álbum, e saberão do que estou falando agora...

Bem... não resta nada mais a dizer, né? Aproveitem!


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[2008] Burning Circles In The Sky

01 - The Mind's Eye
02 - Plateau Skull
03 - Burning Circles In The Sky
04 - Warpaintings
05 - Mother Of All Living


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The Soft Moon




Projeto desenvolvido e nutrido pelo seu único criador, um norte-americano da California que atende por Luiz Vasquez (ou seja, deduz-se aí que o rapaz possui sangue latino), temos aqui talvez um dos melhores nomes do Post-punk contemporâneo e com boas sobras. Valendo lembrar antes de qualquer coisa: por Post-punk não adicionem o "revival", ou seja, não há quase semelhança alguma do TSM com gente a la Interpol e Bloc Party. Nada contra eles, mas o projeto aqui encontra-se num nível totalmente diferente. Já explico o por quê.

Primeiro, a lua macia vai além dos contornos comuns do gênero. Além do já citado Post-punk, percebemos facilmente muita coisa extraída mais diretamente do Coldwave francês, o que torna seus reinos sônicos ainda mais gélidos e soturnos. Segundo, não tem medo de experimentar e flertar com domínios eletrônicos em vários momentos, onde estes são orquestrados com extrema habilidade e ajudam ainda mais a aclimatar o ouvinte em seu microcosmo sonoro. Terceiro: muitos ecos (literalmente!) de Shoegaze e Dream Pop se fazem marcantes também, conferindo novas texturas e maior densidade a sua música, com isso aumentando aquele senso "otherworldy" na mente do ouvinte que já se encontra atordoado no momento. E, por que não, pitadinhas de Krautrock aqui e acolá? Faz bem, não? Taí o quarto item.

Em suma, trata-se de uma das melhores OST de um mundo pós-apocalíptico e absurdamente desolado, comandado por criaturas surreais e fantásmicas. Deixo aqui o trabalho mais recente, o EP Total Decay. Tem pouco mais de 20 minutos, somente, mas justamente essa urgência e incompletude captura a quintessência da "banda": vazio e desolação de sabores oníricos. Recomendo e muito para fãs de Asylum Party, Killing Joke, Sisters of Mercy, A Place To Bury Strangers, Zola Jesus, Vinyl Williams, Menace Ruine.

Enjoy!


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[2011] Total Decay

01 - Repetition
02 - Alive
03 - Total Decay
04 - Visions


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Vinyl Williams





Fruto da mente criativa de Lionel Williams, um californiano nascido em Março de 1990, temos o Vinyl Williams, que, posso dizer com segurança, foi uma das descobertas musicais mais felizes que fiz nos últimos meses sem qualquer gota de dúvida. Não sei bem sobre a história do projeto em si, mas percebo que a maioria das músicas parecem vir de 2010 e 2011, tendo dois full-lengths lançados até o momento, Naked Sanctuary, o mais antigo, e Lemniscate o mais recente. Serão estes que eu postarei logo abaixo, neste espaço, incrementados de algumas músicas "unreleased" em cada um deles.

Sua arte sonora, como muitos das bandas e projetos que deixo por aqui, é bem difícil de categorizar. Algo que não gosto muito de fazer, devo admitir, mas procuro realizar mesmo assim em prol de uma melhor compreensão do que se trata o trabalho do povo. Aqui, temos um belíssimo Shoegaze, doce e etéreo como convem, vestido com os melhores tecidos Krautrock feitos em muito tempo. Todas as músicas evocam uma aura mística exuberante e transcendente, evocando espíritos e espectros vagantes a muito adormecidos, ou simplesmente viagens siderais sem caminho de volta por galáxias desconhecidas e recantos obscuros da imensidão cósmica, algo que era realizado com maestria suprema por gente que atendia por Can, Popol Vuh e Neu! a um bom número de décadas atrás. Esta curiosa alquimia que rendeu a curiosa tag de "Shoegroove", ou "Spacebeat", como dito no last.fm.

Pois bem, a parte de rótulos e yadda yadda, temos aqui dois digníssimos trabalhos que, no mínimo, colocam o VW (não confundir com Volkswagen, kids) no patamas de bandas extremamente promissoras e "to check out in the near future". São gente como o Lionel que me faz perceber que a criatividade musical não arrefeceu-se de vez no limbo de gente derivativa e vazia que polui o mundo a fora. Recomendado ao extremo para quem gosta da galera tipo Have a Nice Life & cia. (Afterlife, Giles Corey), Menace Ruine, e Shoegaze como um todo...

Degustem!

ps: O rapaz mentor do projeto ainda faz pinturas, e muito bem, obrigado. A quem interessar, aqui.


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[2011] Lemniscate

01 - Tokyo -> Sumatra
02 - Higher Worlds
03 - Stellarscope
04 - Who Are You?
05 - Grassy
06 - Objects of the Source
07 - Inner Space
08 - Open Your Mind
09 - Follow In Your Dreams

Unreleased:
?? - Haunted!
?? - SpiritualT Visions BayB


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[2010] Naked Sanctuary

01 - 100
02 - Freshly Picked Diamonds
03 - Zeal Biotics
04 - Spiral Galaxy
05 - Psychic Shine

Unreleased:

?? - Emporium
?? - Gold
?? - Ooh Aah
?? - The Inner Kingdom


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Asteroid #4



Asteroid #4 não se trata apenas do asteroide mais brilhante do nosso sistema solar (Vesta), mas também de uma bela banda estadunidense que vem rodando meus players e meus headphones nos últimos três meses. Poucas informações históricas existem por aí sobre eles (me custou uns 15 minutos para saber que são da Philadelphia), e sua primeira aparição para o mundo ocorreu num tributo ao Spacemen 3, no qual o sexteto coverizou Losing Touch With My Mind com louvor, lá nos idos de 1997. Um ano depois, sai o seu debut album, Introducing The Asteroid No. 4, onde percebe-se que a participação no tributo não foi aleatória; influências do citado Spacemen 3 se fazem latentes, bem como ecos de Jangle Pop, Psychedelic '69, etc.

Sinceramente não ouvi os álbuns que se sucederam do Introducing... até o álbum que vos posto, These Flowers Of Ours: A Treasure Of Witchcraft and Deviltry e poucas informações obtive sobre eles. Mas vi alguns elogios rasgados a evolução da banda justo neste álbum. Sobre o álbum em si, tais elogios não são nada menos do que merecidíssimos, pois os rapazes (e a moça tecladista) alcançaram aqui uma alquimia alucinógena entre os citados Shoegaze, Psychedelic Rock e Jangle Pop com Garage Rock, Folk, Gothic Americana e, por que não, Britpop que encheria o querido Syd Barrett (RIP) de orgulho pelo seu legado. Todas as músicas evocam um sentimento etéreo de paz entermeado por paisagens surreais temperadas com o doce sabor de verde pastoril e tapeçarias de estrelas queimando no céu noturno sem se preocupar em disputar atenção com as luzes de hidrogênio e neônio dos centros urbanos.

Bem, tá dado o recado. Aparentemente, eles estão escrevendo novas músicas, logo, este mesmo post pode emergir muito em breve, quem sabe? Enjoy!


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[2008] These Flowers Of Ours: A Treasure Of Witchcraft and Deviltry

01 - My Love
02 - Let It Go
03 - Hold On
04 - I Look Around
05 - She's All I Need
06 - War
07 - Flowers Of Ours
08 - Hei Nah Lah
09 - She Touched The Sky
10 - All Fall Down
11 - Empty Like A Little Child


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The Black Angels



Da série "bandas cujo nome começam com Black [insira aqui alguma coisa obscura, ocultista e/ou de vibe retrô]", temos aqui mais um exemplar: The Black Angels. Mais uma a fazer companhia anomes tipo Black Mountain (já postado aqui a alguns meses), Black Rebel Motorcycle Club não só em sua alcunha inicial, mas também em sua proposta musical: Rock puro, cru e simples, impulsionado por rotores psicodélicos, bad trips, xamãs de tribos ancestrais e rituais ocultistas. Soa interessante, não?

Desde o nome adotado pelos texanos, retirado de uma música do Velvet Underground, "The Black Angel's Death Song" percebe-se a influência daquela época saudosa (e nebulosa), que situa-se entre os 3 últimos anos da década de 60 e os 4 primeiros dos 70. Além da turma encabeçada por Nico e Lou Reed, percebemos muitos ecos de seus contemporâneos, como The Doors, Stooges, Black Sabbath, Mountain, bem como contemporâneos do próprio TBA, como os citados 'black brothers', sem contar gente do calibre de The Warlocks, Asteroid #4, Dead Meadow, The Blue Angel Lounge, todos dedicados a ressucitar e reverberar aqueles riffs e harmonias de aura lisérgica, elameada e transcendente que rondava o cosmos por volta de 40 anos (terrestres) atrás e nos guiava a domínios insondáveis de caos primordial e paisagens astrais da mais pura demência psicotrópica.

Aproveitando o gancho da apresentação da banda no SWU, no New Stage do dia 14, deixo aqui seus três full-lengths. Os dois primeiros são marcados por um grau maior de experimentalismo, flertando por algumas vezes com o Krautrock e invocando atmosferas pagãs, sob tonalidades que parecem vindas diretamente de um pesadelo provocado por alguma bad trip poderosa, obra de cogumelos sorridentes que dançam nas estrelas e flores ancestrais que escorrem pela terra. Já o terceiro trabalho, Phosphene Dreams, já invoca uma atmosfera um pouco menos enevoada e um pouco mais linear e upbeat, mas sem perder o pique deixado dos trabalhos antecessores. É ainda uma viagem catártica por reinos oníricos e acidamente malignos, porém, não soa tanto como uma "bad" trip. Uma "trip", somente, e das boas.

Degustem-nos!


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[2010] Phosphene Dreams

01 - Bad Vibrations
02 - Hunting At 1300 McKinley
03 - Yellow Elevator #2
04 - Sunday Afternoon
05 - River Of Blood
06 - Entrance Song
07 - Phosphene Dream
08 - True Believers
09 - Telephone
10 - The Sniper


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[2008] Directions To See A Ghost

01 - You On The Run
02 - Doves
03 - Science Killer
04 - Mission District
05 - 18 Years
06 - Deer-Ree-Shee
07 - Never/Ever
08 - Vikings
09 - You In Color
10 - The Return
11 - Snake On The Grass


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[2006] Passover

01 - Young Men Dead
02 - The First Vietnamese War
03 - The Sniper At The Gates Of Heaven
04 - The Prodigal Sun
05 - Black Grease
06 - Manipulation
07 - Empire
08 - Better Off Alone
09 - Bloodhounds On My Trail
10 - Call To Arms


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Navel



Podem acusar de hipster e o escambau, mas uma "tendência" atual MUITO boa que percebo cada vez mais forte e pulsante nesses tempos é essa coisa de "Retro Rock". Nomes como Black Mountain, Wolf People, Tame Impala, Eagles of Death Metal, The Black Angels tem sido alguns dos responsáveis por ela. Sei que não trazem nada de (muito) novo, ainda mais em relação ao que era feito à 30/40 anos atrás, mas em nenhum aspecto isso deixou de ser foda. Então, surge mais um nome com potencial mais que suficiente para juntar-se à lista acima: Navel.

O nome um tanto simplório - e pouco criativo, devo adicionar - só faz esconder o poderio artístico que os rapazes (?). Toda aquela psicodelia incandescente made in '69 se faz presente, mas dessa vez carregada com muita coisa igualmente interessante. Há um toque Bluesy em todas as 14 faixas que compõe seu álbum (Neo Noir), tornando tudo mais spicy - ainda! - e, como se não fosse o bastante, invocam aquele espírito lamacento e despojado do Garage Rock que nos assombra a pelo menos 40 anos. E mais ainda, por que não invocar, também, o alternativo 90's made in Seattle? Pois é, tem tudo disso aqui. Provavelmente o elemento mais diferencial do Navel em relação aos colegas vintage contemporâneos é o ritmo da maioria de suas músicas. Não tem dó de botar o pé (ou dedos) no acelerador e compor músicas recheadas de uma urgência pouco visto nos idos modernos, soando verdadeiras descargas sônicas em muitos momentos. De quebra, ainda temos um cover do Neil Young, Rockin' In The Free World. Não poderia ser melhor escolhido, jamais.

Se alguma pessoa resolveu botar esse CD pra tocar e ficar entediado, é porque o cidadão está morto ou tá com sérios problemas auditivos, só pode. Recomendado fortemente pra qualquer um interessado, além das bandas do primeiro parágrafo, em gente tipo BRMC, The Vines, Mudhoney, QOTSA, Black Keys, Dead Weather, etc.

Degustem-no!


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[2011] Neo Noir

01 - Can't Feel A Thing
02 - Speedbox
03 - Black Days
04 - Acid Queen
05 - It's The Road That Makes The Song
06 - Free Land
07 - Invisible
08 - Kobra The Killer
09 - Rockin' In The Free World
10 - Hunger Child Blues
11 - Come Into My Mind
12 - Blues On My Side
13 - Rule To Follow
14 - Waiting Travelling Thinking


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Wolf People




Aproveitando a onda dos "Wolf" (Wolves Like Us, Ulver, et cetera), deixo aqui uma belezinha que conheci recentemente e nocauteou meus ouvidos, Wolf People. Trata-se de uma banda formada em 2006, na Inglaterra. O last.fm diz que são baseados em London, Bedford e North Yorkshire, logo, parece que cada integrante vem de um lugar diferente da terra da rainha e se reunem quando podem para fazer massas sonoras por aí.

Enfim, minha surpresa positiva com os rapazes é a fidelidade e desenvoltura com que constroem suas músicas, enquanto comparadas com a mais pura quintessência psicodélica setentista. Certamente eles devem ter ouvido muito Floyd, Camel, Van Der Graaf Generator, Caravan, Can, Amon Düll II, Jefferson Airplane, dentre outros nomes que fogem a minha mente agora, e sintetizam o que houve de melhor naqueles anos lisérgicos em cada faixa que completa o álbum que vos posto, Steeple. Se alguém me dissesse que se trata de algum álbum perdido/esquecido na poeira, naftalina, páginas amareladas e kombis multicoloridas daqueles aeons, eu não discordaria. Isso pode render perguntas, vindas de alguns mal humorados "beleza, mas cadê a originalidade e o status quo da arte em si, da constante necessidade de criação de algo novo, mimimi?", e eles tem um ponto, realmente. Mas e daí? É arte pura, crua e brilhante que transpira de cada nota aqui presente, evocando junto ao ouvint aquele sorriso meio torto em nossos lábios, abastecido por toda essa nostalgia, bucolismo, sinestesia incandescentes e assombrados pelos monstros alados e mosquitos cintilantes gerados por um vetor de bad trip. Tem como ser ruim? E mais, não é muito mais divertido do que os salvadores do rock que borbulham em profusão dos 00s em diante e nunca se tornaram o novo Nirvana?

Então, acho que o recado já foi dado. Para aqueles vidrados nessa vibe retrô movimentada por gente tipo Dead Meadow, Black Mountain (ambos já figurados aqui nessas páginas), Assemble Head In Sunburst Sound, The Black Angels, Tame Impala, e por aí vai, vão se deliciar com a galera-lobo.


Bon voyage!



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[2010] Steeple

01 – Silbury Sands
02 – Tiny Circle
03 – Painted Cross
04 – Morning Born
05 – Cromlech
06 – One By One From Dorney Reach
07 – Castle Keep
08 – Banks Of Sweet Dundee Pt. 1
09 – Banks Of Sweet Dundee Pt. 2


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Meat Puppets



Talvez a banda motivo desse post, de nome Meat Puppets, ressoe familiar na cabeça de alguns passantes. Não por menos, pois três músicas de um dos seus álbuns mais clássicos, Meat Puppets II (1983), foram coverizadas pelo Nirvana em seu show acústico no já longíquo ano de 1993, tendo participação dos próprios integrantes nos covers. Isso rendeu uma certa evidência a banda, algo nunca antes ocorrido, mesmo já tendo vários álbuns na bagagem e trabalhos inovadores, criativos e não por menos acessíveis. Mas ainda assim não foi o suficiente para alavancá-los ao status pelo menos de banda 'coadjuvante' no cenário Rocker mundial, tornando-se mais um nome obscuro e objeto de culto para uma meia dúzia de curiosos e desocupado pelos sete mares. Seria isso justo?

Bom, sua carreira iniciou-se a mais de 30 anos, mais precisamente em 1980 em Phoenix, pelos irmãos Kirkwood (Curt, vocal/guitarra e Cris, baixista) além de Derrick Bostrom, responsável pelas baquetas. Inicialmente, sua proposta era um Punk Rock feroz e selvagem, com vocais quase ininteligíveis, mas já pincelados com o humor refinado e um ar Folk, que veio a acompanhá-los ao longo de sua carreira. No já mencionado MP II, a banda bota o pé no freio e trabalha um pouco mais as suas músicas, trazendo a tona essa veia folk que vem a conferir um sabor totalmente único as suas músicas. A mescla da fúria punk com tais atmosferas folk de matiz psicodélico dava uma certa aura fantástica e assombrosa as suas músicas, capturando a essência desértica de sua cidade natal, reforçadas ainda mais pelas letras. Vejam a letra de Lake of Fire e Plateau para terem melhor ideia do que falo. Já nos álbuns subsequentes, durante asegunda metade dos anos 80, a banda continua a trabalhar mais o som e dar mais ênfasea psicodelia western, seu som convergindo mais para um 70's Hard Rock do que o Punk.

Depois de um hiato de 3 anos, a banda retorna com o Too High to Die, álbum de maior sucesso comercial da banda até hoje. Ajudado pela associação da banda com o Nirvana, claro, mas ainda assim com méritos. Infelizmente a banda passa por um período muito irregular de 96 até 06, devido ao vício do vocalista Curt (e também de seu irmão Cris) em heroína, no qual o último até passou um tempo no xadrez devido a uma tentativa de assalto. Esse limbo deve ter feito bem a eles, pois, recuperados, decidem retomar com os pups, embora sem o batera original. Resolvem também cair na estrada, e compuseram três álbuns desde então, sendo o mais recente, Lollipop, que será postado logo abaixo.

Certamente aquela energia e gana explosivas de quase 30 anos atrás não estão presentes mais nesse álbum, mas sim aquela fragrância folk psicodélica, que imerge o ouvinte na atmosfera de uma cidade abandonada no meio do deserto do Arizona. É um álbum simples, maduro e de fácil audição, bem grudento, feito por gente que realmente entende do riscado e que deveriam, sim, ser bem mais lembrados e valorizados do que são. Claro que nem sempre a sorte ou o público sorri para certas bandas, como aconteceu com a banda que os homenageou nos early 90s, então, cabe a gente como nozes aqui do blog postar essas obscuridades cults deliciosas que ficam perdidas pela poeira do tempo ou marés do oblívio.

Enjoy!


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[2011] Lollipop

01. Incomplete
02. Orange
03. Shave It
04. Baby Don’t
05. Hour of the Idiot
06. Lantern
07. Town
08. Damn Thing
09. Amazing
10. Way That It Are
11. Vile
12. The Spider and the Spaceship


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Truly



A origem da banda postada hoje, Truly, remete-nos aquela saudosa primeira metade dos 90. Foi fundada por Robert Roth, Mark Pickerel (ex-Screaming Trees) e Hiro Yamamoto (ex-Soundgarden) na cidade de Seattle (surpresa?) e, apesar de conectados a bandas famosas da cidade e da época, o Truly nunca ascendeu ao estrelato ou mesmo um reconhecimento cult na época. Lançou dois full-lengths, sendo eles Fast stories... From Kid Coma (1995) e Feeling You Up (1997), além de uma coletânea de raridades Twilight Curtains, original de 2000, (sendo este que consta no link de download), com a banda já extinta. E assim fez-se sua história...

Mais precisamente, sua abóbada sonora é calcada nos firmamentos Grunge que eclodiam e exalavam por todos os vértices de Seattle (e de rádios, micro systems e K7 players do mundo) naqueles idos. Mas defini-los assim é vago demais, pra não dizer injusto, pois há muito mais coisa aí. Para começar, suas estruturas musicais, por muitas vezes, fogem da simplicidade típica do gênero, sendo bem mais ricas e dinâmicas do que a média dele. Depois, a banda parece ter encharcado suas linhas harmônicas de cogumelos, mescalina, peyote, ácido, etc. em muitos momentos, pois a vibe psicodélica que ressoa delas é digna do que havia de melhor nos early '70. Reparem nas músicas Aliens on Alcohol, bem como a faixa que fecha o CD, Mellotronica Symphonica e saberão do que estou falando. Algumas músicas em um apelo mais pop, tipo Leatherette Tears II e um cover, Our Lips Are Sealed, mas mesmo essas são deleitosas e agradabilíssimas de se ouvir a qualquer hora, longe de ser um pop pausterizado e imbecil como o veiculado por aí desde aquela época. Já Wait 'Til The Night e I Hit Ignition remetem mais diretamente ao que se fazia na cidade natal dos caras, soando mais diretas e simples, mas ainda assim excelentes pra se ouvir naquela hora que desejamos exorcizar alguns demônios internos. Em suma, um belo, belíssimo álbum, uma pérola esquecida na poeira e nas colheres queimadas dos 90...

Aí vem a questão crucial desse post: Por que diabos eles nunca tiveram sucesso nenhum? Alguns podem responder "falta de incentivo e apelo comercial, falta de divulgação, etc." e são motivos plausíveis. Mas acho que a questão é um pouco mais profunda e vaga do que isso. Algumas bandas simplesmente não emplacam. Não há razão lógica para isso, muitas vezes. A banda pode não sofrer de nenhuma deficiência técnica, pode até ser talentosa ao extremo, diferenciada, etc. mas por uma série de motivos burocráticos (como os citados anteriormente) ou simples conspiração cósmica, nada dá certo para eles e ficam relegados ao oblívio. A internet ajuda um pouco nesse quesito, de uns 10 anos pra cá, pois permite um raio de divulgação sem precendentes. Porém, nada que possa determinar um sucesso e reconhcimento devidamente proporcionais ao talento musical de alguém, né. Infelizmente, o Truly cai neste caso dito logo acima, e com ênfase no "infelizmente", pois a banda é "truly amazing" (não resisti ao trocadilho, mais uma vez).

Imagino que qualquer fã das bandas daquela geração, bem como fãs de um Roque bem feito iria curtir e muito o conteúdo do link logo abaixo. Enjoy!


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[2000] Twilight Curtains

01 - Twilight Curtains
02 - Leatherette Tears II
03 - Aliens On Alcohol
04 - Wait 'Til The Night
05 - I Hit Ignition
06 - Our Lips Are Sealed
07 - Girl Don't Tell Me You'll Write
08 - Queen Of Girls
09 - 20th Century Voluntary Slaves
10 - Mellotronic Symphonica


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(((S)))




- When asked about his anonymous appearence (((S))) replies: ”Ever since childhood I have had this deep desire inside to be invisible and loved at the same time,- it’s like my mottto and ever since then I have worked very hard to obtain my goal. And this record is one of the results of these thoughts and desires”.


Bom, taí uma amostra do que se trata o responsável pelo álbum que posto aqui neste momento. Criatura estranha, de fato, e não entendam estranho como algo negativo e pejorativo, pois todos que passam por aqui devem saber que excentricidades e idiossincracias são sempre uma fonte de inspiração musical do mais alto nível.

Mas enfim, sobre o trabalho do tal (((S))), trata-se de um projeto musical provindo de Copenhagen, Dinamarca, onde o único membro atende pelo mesmo nome. Apesar do esteriótipo, NÃO SE TRATA (sim, devo frisar isso com todas as letras, em negrito e em caps lock) de algo na linha Black Metal, Noise, Dark Ambient e afins, mas sim de algo que fica na linha entre o Gothic Rock e Post-Punk! Inusitado, não?

Pois é, eu também fiquei meio surpreso quando tive o primeiro contato com a band, ops, projeto e soube sobre suas origens e sua formação. O único trabalho lançado pelo (((S))) até agora se chama Ghost, tendo sido lançado há alguns meses e ganhado bastante atenção na cena européia. Nele, encontra-se aquilo que disse no parágrafo anterior, um Gothic Rock que não raras vezes assume a frieza atonal do Post-punk, porém, não se trata aqui de mais uma pseudo-cover band do Sisters of Mercy ou do Joy Division. Percebem-se alguns ecos dessas bandas, claro, só que mais pronunciada ainda é aquela melancolia envolvente e etérea do The Cure e do Shoegaze de Jesus and Mary Chain em seus primeiros trabalhos, principalmente) e influências de bandas mais recentes (embora nem tanto) e um tanto distante desses gêneros (embora nem tanto, também), como Tiamat e Anathema, acrescidos ainda de tons sutis e devidamente pincelados de psicodelia setentista em alguma passagem aqui e acolá.

Aproveitando a onda das bandas que fundem Black Metal, Shoegaze, Post-Rock e Post-Punk, é possível que o (((S))) venha a atrair esse público, juntamente com aqueles já pertencentes aos meandros góticos do universo a fora, pois todos os elementos que eles procuram numa banda, aqui encontram. E muito bem feito, diga-se de passagem, ainda mais para um projeto solitário e ainda iniciante.

//Renascendo o tópico aqui para vos deixar o novo CD, intitulado Phantom. Para quem já ouviu o Ghost, não há muito o que acrescentar, pois seu som continua basicamente o mesmo. Talvez as músicas estejam menos etéreas, sem aquelas camadas de neve sônica que encobria as músicas mais antigas. Sinal que o fantasma está se preparando para se revelar? Aguardemos. Por ora, aproveitem!

//Ressucitando o post de novo para deixar um EP bem interessante dessa "banda": Deutsch. Nele, temos 5 músicas em língua alemã, sendo uma delas cover do Beatles "I want to hold your hand" e uma versão da Mermerized, do álbum Ghost, na mesma língua. A outra metade do EP tem as mesmas músicas mas em inglês. Nada excepcional, mas como curiosidade, ficou ótimo. Enjoy it!







[2010] Deutsch

01 - Komm Gib Mir Deine Hand
02 - Ganz Allein
03 - Sie Lebt Dich
04 - Hypnotisiert
05 - Helden
06 - I Want To Hold Your Hand
07 - In My Room
08 - She Loves You
09 - Mesmerized
10 - Heroes


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[2010] Phantom

01 - A Crying Shame
02 - Lonely Is The Lighthouse
03 - Invisible Man
04 - We're In The Wind
05 - Autumnhead
06 - Walk
07 - Addicted To My Dreams
08 - A Handful Of Dust
09 - Tired Hangs The Head
10 - Hole In My Heart


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[2009] Ghost

01 - In The Shadow Of A Shadow
02 - Mesmerized
03 - Mamachild
04 - Deathtrip
05 - Fausty
06 - Fall With Me
07 - Hungover
08 - Ghost In The Snow
09 - Who Lover The Lover?
10 - When The Well Runs Dry
11 - Dying





Sula Bassana



Sula Bassana é o nome artístico de um alemão chamado Dave Schmidt que, segundo algumas pesquisas que fiz por aí, já tá na estrada pelo menos a uns 23-24 anos se enveredando por uma míriade de projetos e bandas diferentes desde então, basicamente orbitando entre a música eletrônica/psytrance e afins e o Space Rock/Psychecelic/Krautrock/Stoner/blablabla. Dentre estes projetos, talvez o mais famoso seja o Weltraumstaunen, que seguia essa segunda linha.

Já sobre o Sula Bassana em si, é o nome científico de uma ave marinha que vive no hemisfério norte do planeta, maiores informações no link logo acima. Por ser um projeto solo, o carinha faz o bem quer dele, ora se dedicando aos meandros roqueiros da música, ora aos universos eletrônico. Neste caso, obviamente, posto um álbum do lado guitarreiro da força. O que presenciei ao ouvir este trabalho sem maiores pretensões, chamado simplesmente de The Night, é simplesmente um dos melhores discos de Stoner/Psychedelic que ouvi desde o Yawning Man e My Sleeping Karma! É impossível distinguir onde começam os veios Stoner, os matizes puramente Space Rock e as alegorias Krautrock, pois todas são perfeitamente fundidas numa só dimensão sônica, perfeitamente vívida, palpável e bebível em sua geodésica estelar, que leva o ouvinte a domínios insondáveis do Cosmos e da própria consciência. Sem contar que o feeling oriental que envolve sutilmente as músicas confere um tempero ainda mais exótico e delicioso a viagem toda, quase como uma conversa com Shiva numa montanha distante, num cair da tarde banhado por um sol rubro e incandescente onde discute-se os segredos do universo e da existência enquanto jogam Mario e Top Gear no SNES! Tudo isso regado a Narguilé, claro.

Se todo o parágrafo acima não é estimulante o suficiente para baixar este álbum AGORA, nada mais nesse plano sideral o será. Só tenho isso a dizer. Apertem os cintos!


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[2009] The Night

01 - In Space
02 - Lost In Space
03 - The Night
04 - Meteorritt
05 - Kosmokrator


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Michio Kurihara




Michio Kurihara, cidadão oriundo de Tokyo, Japão pode ser um nome pouco conhecido em terra brasilis, mas desfruta de grande fama e reconhecimento nos recônditos undergrouds de seu país. Desde os anos 80, vem fazendo parcerias com vários artistas do meio Prog-Psychedelic daquelas bandas, como por exemplo o White Heaven, e alguns anos depois, mais precisamente em 1994, faz sua primeira parceria com o Ghost, talvez o nome mais famoso da cena pós-psychedelic (?) japa. Também trabalhou com gente como Damon & Naomi (Galaxie 500 - um dos percursores do Shoegaze) e também com o The Stars, banda formada por e-White Heavens, até chegarmos a 2005, onde ele lança seu primeiro - e até agora, único - álbum solo, batizado de Sunset Notes. Além disso, fez uma colaboração com a galerë bacaninha do Boris, em 2006, resultando numa bela peça lisérgica de Drone e Stoner. No entanto, o foco será sobre o álbum solo.

O tal álbum não distancia-se muito dos universos sonoros que o Michio vem explorando com suas antigas bandas e colaborações. Quem aqui já ouviu o Ghost (acredito que não sejam muitos, infelizmente), certamente vai perceber suas similariedades com as notas da aurora. Porém, é perceptível o clima mais intimista e introspectivo aqui. Pensem no que o Yawning Man faz com seu Stoner/Psych. Rock em relação a pintar paisagens do deserto da California com suas músicas. Agora, traduzam essa paisagem para um parque nipônico no final de tarde repleto de flor de cerejeiras caindo ao sabor do vento, onde solitude e uma certa nostalgia agridoce imperam nos domínios da mente. Parece, inclusive, que as músicas foram inspiradas em diferentes finais de tarde, em diferentes locais do Japão, vivenciados pelo Michio. Faz sentido ao perceber que as primeiras músicas parecem mais energéticas e "vivas", provavelmente evidenciando primavera/verão, enquanto a metade final do álbum parece mais serena e até tantinho melancólica.

Se é algo difícil de se imaginar, bem, não há melhor experiência do que ouvir de fato o álbum. Não consigo pensar em gente que faz algo muito parecido com ele. Talvez a tal New Weird America, gente como Six Organs Of Admittance e simpatizantes, se aproxime do feeling e da aura que evoca sua música, mas somente isso. Trata-se de um álbum extremamente agradável, soando perfeito para dias primaveris mornos e reflexivos.

Pois bem... aproveitem!


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[2005] Sunset Notes


01 - Time To Go
02 - Do Deep-Sea Fish Dream Of Electric Moles
03 - Wind Waltzes
04 - Pendulum On A G-String~The Last Cicada
05 - Canon Ic C (C Is For Cicada)
06 - Twilight Mystery Of A Russian Cowboy
07 - The Wind Twelve's Quarters
08 - The Old Man And The Evening Star
09 - A Boat Of Courage



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ps: Due to the removals of the download link, I won't post it here anymore. If anyone wants to listen to this album, just let a comment below and an e-mail, twitter profile, facebook, etc. where I can drop it. I'm sorry for this.

Robert Wyatt



Bristol, UK, 1945. Nascia Robert Ellidge, mais conhecido como Robert Wyatt. Para aqueles que viveram os anos 70 em carne e osso, ou aqueles que admiram (e conhecem) mais profundamente a cena musical daqueles éons psicodélicos, Robert foi um dos fundadores do Soft Machine, uma das bandas seminais da cena de Canterbury, daonde saíram gente muito interessante como, e.g., Caravan, Gong e outros que me fogem a mente, conhecidos por trazerem matizes folk e um tanto esotéricos ao seus roques progressivos, mais do que a música pede por si só.

Tendo aprendido a tocar bateria com um amigo jazzista e não satisfeito com isso, Robert era também responsável pelas cordas vocais do Soft Machine, algo um tanto incusitado para a época - e mesmo para os padrões atuais -. Tendo abandonado o SM em 1971, devido as tão famosas diferenças pessoais e mimimis afins, fundou o Matching Mole (referência a sua antiga banda, pois Matching Mole soa como Machine Molle, tradução de Soft Machine para o francês) mas, em 1973, devido a um infeliz acidente, Robert cai de uma janela do 3º andar e perdeu os movimentos da cintura para baixo. O álbum que posto-lhes agora, Rock Bottom, é o fruto de 8 meses que ele passou internado, formado por músicas totalmente reconstruídas devido a sua condição do momento, no qual ele também decidiu se reinventar como vocalista e trocou a bateria, por razões óbvias, pelo teclado.

Sobre este Rock Bottom, é um álbum que soa estranho para aqueles habituados aos seus trabalhos anteriores, mas que, ainda em meio a todo o experimentalismo introspectivo, é de audição relativamente fácil e fluente. Não se parece com nada oriundo daquelas épocas, mas certamente aqueles acostumados com as sandices de Thom Yorke do Kid A em diante vão encontrar algo semelhante aqui. Talvez seja uma de suas fontes de inspiração, quem sabe. Todas as músicas transmitem sensação de estar imerso num oceano profundo e insondável (Rock Bottom pode ser uma boa metáfora, né?), permeado de corais quiméricos e criaturas desconhecida mas bizarramente familiares, de alguma maneira. Não seria essa uma boa representação do inner self de cada um?

No mais, trata-se de um belíssimo e esquecido álbum. Talvez por ser aparentemente impenetrável e abstrato demais para ouvidos pouco treinados, ou talvez por não lembrar em quase nada o finado Soft Machine, que rendeu reconhecimento ao Mr. Wyatt, mas nada disso tira seu brilho e criatividade exuberantes. Fica aqui como primeiro presente de natal a vocês. ;)


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[1974] Rock Bottom

01 - Sea Song
02 - A Last Straw
03 - Little Red Riding Hood Hit The Road
04 - Alfib
05 - Alife
06 - Little Red Robin Hood Hit The Road


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Another Vertigo Rush



A Índia é conhecida mundialmente pela sua rica e milenar cultura, belas construções, e uma grandiosa população, etc. Porém, acho que poucos tem ideia da cena musical "underground" que há no país, exceto aqueles mais aficcionados por curiosidades vindas de países, digamos, exóticos. Admito que já tive fases de ficar caçando bandas de lugares obscuros e distantes no Metal-Archives, o que me fez topar com alguns artistas hindus, óbvio, mas nada que me chamasse a atenção.

No entanto, eis que surge algo digno de fazer festa aos meus ouvidos: Another Vertigo Rush. Não sei bem sobre suas origens, a não ser que são oriundos da cidade de New Dehli e em um full-length, Murphy's Law, nascido em 2008 e que compartilharei convosco neste post. Desde a arte gráfica a temática lírica, passando, obviamente, pelas construções harmônicas, tudo aqui tem cheiro de Tool & A Perfect Circle. Não com a mesma complexidade e profundidade, até porque acho algo quase intangível de se obter a não ser pelos mesmos, mas a inspiração tá lá, de forma saudável e bem aproveitada. Como se fosse a matéria-prima das tintas com que pinta cada faixa do CD.
Outro ponto de destaque é uma boa alternância e unificação entre momentos recheados de fúria com momentos mais doces e auto-reflexivos. Afinal, a consciência humana não é muito diferente, né? Além disso, posso ainda identificar alguns matizes de Nine Inch Nails, ambiências psicodélicas Post-Rockers e, sim, ecos de Deftones e Nu Metal podem ser ouvidos em algumas passagens. Isso os torna pior? De modo algum! Até eu, que tenho preconceito com o tal subgênero (tá, eu assumo que gosto dos 2 primeiros do Defontes, resquício da adolescência), vejo tais ecos como algo bem inserido em sua música, diria que até enriquecedor. Acho que o Consecration, postado aqui a alguns meses, serve como um bom paralelo com o trabalho dos rapazes hindus, apesar do AVR parecer mais simples estruturalmente.

Por fim, devo dizer que, apesar deles não atingirem ainda seu ápice de maturidade e de criatividade, não poderiam estar na trilha mais certa para tal. Só espero que não venham a definhar e empalescer devido as prováveis dificuldades que devem enfrentar para realizarem seu trabalho em seu país natal, que imagino serem comparáveis, provavelmente piores do que em Terra Brasilis.

Pois bem... só resta dizer: Aproveitem!


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[2008] Murphy's Law

01 - Drop
02 - The Vibe
03 - Om
04 - Disconnect
05 - Conclave
06 - Phase II
07 - Prevail
08 - Connect
09 - Anger Management
10 - Prologue: Indigo Children


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Dax Riggs




Dax Riggs, estadunidense nascido no estado de Louisiana no ano de 1973, é um nome (infelizmente) pouco familiar aos ouvidos do povo, mesmo àqueles mais ligados no cosmos underground da música. Apesar de ter um background memorável, por algum motivo, suas bandas e seus projetos nunca eclodiram ou obtiveram o reconhecimento merecido. No entanto, isso não apaga de modo algum seus méritos como compositor e o legado que vem deixando desde os inícios dos 90's, já digo o por quê.

Seu primeiro e possivelmente mais marcante trabalho foi com o Acid Bath, banda que goza até hoje de um relativo status cult desde a época de sua existência (1991 até 1997, mais ou menos), lançando dois álbuns que são verdadeiras descargas sonoras, cuja base Sludge/Stoner mesclam-se a matizes Grunge, Death/Doom Metal, Folk, Post-Punk e muitos outros, sem definir-se exatamente por um destes gêneros. Alguns mais desavisados logo pensariam: "Nossa, isso parece Alice In Chains! Mas tá esquisito", ao ouvir alguma de suas músicas. Com o encerramento de suas atividades, Mr. Riggs fundou o Agents of Oblivion, banda que já estrelou nas páginas deste blog, vide link. Segue uma linha bem próxima ao AB, embora possuído de uma veia obscura e mórbida mais grossa do que o antecessor, e que infelizmente lançou apenas um álbum antes de sua dissolução, o self-titled de 2000. Depois disso, ouviu-se do Dax num outro projeto, Deadboys and Elephantman, que conheço muito pouco, admito. Lembro de ter ouvido algo lá nos idos de 2006/2007, época em que ainda era recente, e lembro que seguia uma linha mais light, algo que poderia ser chamado de Alternative Rock (mas que nada tem a ver com os Strokes e Kings Of Leon's da vida, felizmente).

Nesta mesma época, veio o seu primeiro álbum solo. We Sing Of Only Blood And Love. Apesar do nome parecer ter sido retirado de algum poeminha gótico de uma adolescente de 15 anos fã do Evanescence, nele, o lado mais metálico de sua música parece ter dissipado de vez, restando apenas o feeling psicodélico, bluesy, obscuro, banhado com tons de Southern Gothic de outrora. Se não é nada transcendental, é certamente algo muito bem feito e instigante de se ouvir, qualidades também atribuídas ao seu novíssimo solo, intitulado We Say Goodnight To The World. Aqui, sua verve negra e alucinógena parece ter ganhado outros contornos e núcleo, estando mais pulsantes e profundas do que nunca, tendo momentos que o aproximam muito de nomes lendários como Jeff Buckley e Nick Cave.

Para quem conheço o trabalho do cidadão, é um prato cheio. Para os outros, uma boa chance de conhecê-lo e degustá-lo como se deve. Uma ótima pedida para madrugadas de sexta-feiras solitárias, for sure! Enjoy it.


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[2010] We Say Goodnight The World

01 - Say Goodnight To The World
02 - I Hear Satan
03 - You Were Born To Be My Gallows
04 - Gravedirt On My Blue Suede Shoes
05 - Like moonlight
06 - No One Will Be A Stranger
07 - Heartbreak Hotel
08 - Sleeping With The Witch
09 - Let Me Be Your Cigarette
10 - See You All In Hell Or New Orleans


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Black Mountain



Vindos de terras canadenses, são eles a motivação do post de hoje: os montanheses negros. Tratam-se de 4 rapazes e 1 mocinha cujo trabalho consiste, pura e simplesmente, em fazer Rock. Isso não diz muita coisa hoje em dia, não é? Ainda mais com a biodiversidade imensurável de estilos, sub-estilos, rótulos, pré-rótulos e meta-classificações que foram sendo criadas no curso de 50-60 anos, desde a época que o Rockabilly era uma novidade e Chuck Berry ainda era jovenzinho até a época contemporânea, das alucinações do Avant-Garde Post-Black Metal e as harmonias sublimes do Post-Rock. Mas acreditem que não é possível defini-los de melhor maneira do que esta.

Digo o motivo. Valendo-se pelos perfumes made in 1972, chuva de notas made by Hammond, psicodelia Zeppeliana, riffs Sabbathísticos, um punch Deep Purplesco, a psicodelia "inocente" tão característica daqueles aeons, um feeling hippie, corações partidos, ou tão somente um culto à arte como expressão máxima do subconsciente humano, o Black Mountain entrega-nos aqui 10 músicas deliciosas, embaladas sob o título de Wilderness Heart. Parece um álbum mais sereno e digamos, romântico, comparado com seu antecessor In The Future, o que fez que a mídia traçasse uma analogia entre ele e o Houses Of The Holy, dos mestres Zeppelin. Se isso é algo positivo ou negativo, cabe ao ouvinte julgar. Minha missão cabe em divulgá-los o máximo possível, pois uma pérola retrô como esta não merece ficar relegada à poeira do passado (o trocadilho não foi intencional, juro *cof cof*).

Dentre 1001 salvadores de Rock e pseudo-revolucionários vanguardistas, fico com esta banda. Espero que gostem! ;)


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[2010] Wilderness Heart


01 - The Hair Song
02 - Old Fangs
03 - Radiant Hearts
04 - Roller Coaster
05 - Let Spirits Ride
06 - Buried By The Blues
07 - The Way To Gone
08 - Wilderness Heart
09 - The Space Of Your Mind
10 - Sadle


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