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zxyzxy




Quando fui buscar informações sobre a banda (one-man, na verdade), zxyzxy, um nome um tanto curioso (para não dizer esquisito), logo no site deles me deparei com esse parágrafo, escrito numa resenha sobre ele no thesilentballet:

“ZXYZXY is an artist to keep a close eye on – surely there is more great music to come and with a little help from a reputable, enthusiastic record label, this artist could be a dark horse in the running capable of injecting new life into the current uninspiring, stale world of the post-rock genre."

Se isso é um tanto pretensioso demais, bem, não temos condições de afirmar veemente ainda. Trata-se aqui de um projeto ainda iniciante, em pleno desenvolvimento ósseo, muscular, respiratório e artístico, criado pelas mãos de Greg Pappas, já possuindo em mãos três trabalhos: O primeiro full-length Hansuru, lançado em 2009, ひので, lançado também em 2009, consistindo em 4 remixes diferentes da música homônima além de uma outra música inédita, e, em 18/2/2010, saiu o terceiro full-length (bem produtivo o rapaz, hein?!), chamado C.A.B.

Como foi dito há dois parágrafos acima, o zxyzxy pertence ali, ao universo do Post-Rock. Mas seria no mínimo simplista demais defini-lo somente com essa alcunha, já que várias outras influências ecoam, florescem e escorrem de cada uma de suas peças musicais. Seu trabalho faz valer de um bocado de eletrônica e ambient, remetendo diretamente a tal idm e até mesmo trip-hop, mas não raro se envereda por caminhos tortuosos e espiralantes de noise (especialmente no primeiro álbum), deixando um sabor perverso e dissonante em meio as melodias serenas e levemente doces que constituem o seu esqueleto sonoro. No entanto, essas influências parecem ter dado uma acalmada no novo full-length, o que deixo para vocês, no qual sua música gravita em torno de Post-rock com fortes matizes eletrônicos e ambientes, totalizando quatro faixas bem longas (na qual a mais curta gira em torno de 14'04") em que texturas sônicas surrealistas dançam e fundem-se com muito primor e inteligência.

Eu nunca fui chegado a música com nuances eletrônicas, admito. Mas tenho que dar mão a palmatória e dizer que o zxyzxy sabe desenvolvê-la e utilizá-la com grande destreza. Se ele ainda não desfruta de uma maior fama por aí a fora, penso que é só questão de tempo para que seu nome seja difundido pelos sete mares e ter maior reconhecimento pois, potencial e talento, parece ter e de sobra, fazendo valer os elogios emitidos no silentballet.

Bem, como sempre, enjoy it!


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[2010] C.A.B.

01 - I
02 - II
03 - III
04 - IV


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ps: All the albums can be found for free in their webite.

Deaf Center




Os Deaf Center é formado por Erik Skodvin e Otto Totland, dois amigos noruegueses a quem a Type Records (especializada em música moderna experimental) deu a oportunidade de editar o primeiro longa-duração, depois do EP Neon City, de 2004, pela mesma editora. Pale Ravine é um disco hipnotico, composto de paisagens instrumentais, com uma boa percentagem de sentimento lynchiano (Thread faz lembrar o tema-título de Twin Peaks) e um ambiente fortemente cinematico, que nos remete para o conceito de banda sonora de um filme nunca realizado. E a ideia até corresponde parcialmente a realidade: o albúm foi inspirado pelo visionamento de velhas bobines de filme em 8 mm, pela músicas das peças de teatro antigas e dos seus edificios e pela paisagem norueguesa. Na lista aparecem ainda compositores de bandas sonoras como Angelo Badalamenti e Yann Tiersen.

Pale Ravine é feito de colagens, samples e loops, de música de electronica e de muitas cordas, num universo a meio caminho entre o experimentalismo, a música classica e a música atmosferica. O ambiente muitas vezes assustador, sombrio. Digamos que ouvir o disco a noite numa mansão abandonada não vai ajudar a aliviar o ambiente, ainda para mais, o duo juntou sons de discos antigos, caixas registadoras e muitos outros objectos indecifraveis, integrando-os de forma coerente e coesa nas composições, onde nada parece ser colocado ao acaso.

Entre as doze faixas, destaque para White Lake, possivelmente a música mais delicada, com um piano Michael Nyman, acompanhado de um contrabaixo discreto, que lhe dão uma sonoridade quase jazz. Thunder Night tem pompa orquestral, cordas que irrompem assustadoramente e o som do que parecem ser pequenos sinos, seria uma boa banda sonora para um momento de suspense de um qualquer thriller. A curiosa, The Clearing, baseada num loop de cordas acompanhado de um piano esparso, que se vai gradualmente transformando num registo de quase valsa.

Cabe ao ouvinte preencher os espaços vazios que as composições dos Deaf Center deixam a imaginação de cada um, basta juntar-lhe as imagens personalizadas. Afinal, é possivel ver um filme enquanto se conduz, ouvindo este disco no leitor do carro, precisa ter atenção para começar a sonhar.
by: TypeRecords


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[2005] Pale Ravine

01 - Lobby
02 - Thread
03 - White Lake
04 - Path To Lucy
05 - Stone Beacon
06 - Weir
07 - Loft
08 - Thunder Night
09 - Lamp Mien
10 - The Clearing
11 - Fog Animal
12 - Eloy


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